Casamo-nos e só pensamos nas coisas boas. Vivemos num romance e acreditamos que todas as dificuldades são superadas com um amor e uma cabana não é? Isso pode ser verdade mas temos de ter algumas cautelas se queremos fortalecer a nossa relação conjugal. Neste artigo vou-lhe falar sobre como evitar uma das principais causas de problemas familiares.

Queremos vencer a lei das probabilidades?

Provavelmente já teve conhecimento de que a taxa de divórcio em Portugal ronda os 70%. Quer isto dizer que 70 em casa 100 casamentos resulta em divórcio. Alguns podem ser tentados a pensar que isso quererá dizer que não vale a pena casarmo-nos. Acho essa resposta redutora. O que me parece é que temos de nos esforçar por fazer vingar aquilo que acreditamos valer a pena nas nossas vidas. E para isso temos de ter cuidados acrescidos.

Sim. Quem se casa quer vencer a lei das probabilidades. Quer que o seu casamento dure pois quer viver com aquela pessoa e com a sua família porque é isso que o preenche. Mas ninguém disse que estar casado não era um desafio constante. Por isso é que não nos casamos com a primeira pessoa que nos aparece à frente. Certo?

Temos de falar sobre o elefante na sala…

Pois bem. Se queremos eliminar uma das principais causas de problemas familiares temos de falar sobre dinheiro. É verdade. Nas famílias tendemos a discutir bastante sobre problemas financeiros e não costumamos estar muito alinhados no que toca ao dinheiro. E aqui não falo do dinheiro como realidade abstrata mas antes sobre:

  • Quais os nossos objetivos financeiros?
  • Quais os nossos objetivos de vida?
  • Qual o papel que o dinheiro tem nas nossas vidas?
  • Quais os nossos sonhos e medos?

Estas e outras questões devem ser respondidas. Se possível antes de nos casarmos. Temos de saber o papel que o dinheiro e os bens materiais têm nas nossas vidas para podermos construir as nossas vidas e as nossas rotinas em função disso. Por exemplo, se o dinheiro ou o estatuto são fundamentais será natural que tenhamos uma pressão maior para ganhar dinheiro. Com isso vem a pressão profissional e todos os sacrifícios (e loucuras) que isso tem associado.

Como falar sobre dinheiro em casa?

Se já está casado o que sugerimos é que determine um dia no mês para fazer o orçamento familiar. Caso queira alguns detalhes sobre isso leio o artigo “Fazer um orçamento familiar com pés e cabeça”. Aqui apenas reforço a importância de dedicar algum tempo durante o mês a falar sobre o dinheiro, sobre os vossos objetivos e sobre o que precisam de fazer em conjunto para os atingir. O dia do orçamento familiar é um ótimo pretexto para focar estas conversas num único dia e libertar o resto do mês para aquilo que consideram mais importante.

Uma outra ideia que é importante consiste na organização bancária. Talvez faça sentido cada um ter a sua conta individual e o casal ter uma conta conjunta. Em qualquer dos casos, ambos deverão ter acesso às contas um do outro e partilhar as contas de poupança. Sim, já vi vários casais que separavam todas as contas o que dava azo à desconfiança e a um desalinhamento crónico. Ou outros casos em que os créditos são contraídos sem o conhecimento de ambos (sim, é possível ter um crédito sem dizer nada à sua mulher). Não esquecer que quando nos casamos as coisas deixam de ser nossas e passam a ser da família. Pode custar, mas é por um bem maior…

Preparem-se para a chegada dos filhos

Uma última ideia nesta fase passa por se preparem financeiramente para a chegada dos filhos. Os filhos são uma bênção. São um empréstimo que recebemos para orientarmos uma ou mais vidas para que sejam adultos felizes. Mas também trazem consigo custos e encargos financeiros que deverão ser acautelados com tempo. Adicionalmente, a visão do casal sobre o dinheiro irá ser transmitida na sua relação com o dinheiro e na gestão dos afetos em família. Assim, é fundamental definir o papel que o dinheiro tem nas suas vidas.

Proteja aquilo que é mais importante para si. A nossa família é o “bem mais precioso” que temos. Logo, temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para a proteger. Depois é viver a vida com toda a naturalidade.