Já imaginou o que fará na sua reforma? Se é jovem, provavelmente nunca pensou nisso. Mas mal. Nos dias que correm, se acreditamos que vamos ter reformas de jeito mais vale acordarmos para a vida. Neste artigo vou comparar os PPR com outros produtos financeiros e dizer-lhe porque é que gosto de (alguns) PPR.

Mito ou facto – Vamos ter reformas?

Podemos dar muitas voltas. Podemos fazer todos os rodriguinhos e procurar enganar-nos uns aos outros. No entanto, há algumas perguntas a que temos urgentemente de dar respostas:

  • Porque raio achamos que vamos ter reformas? Apenas porque alguém nos disse que vamos ter? Ou porque acreditamos que alguém nos irá dar o suporte que idilicamente nos achamos merecedores?
  • Porque é que algumas pessoas dizem que não vamos receber as reformas? É interessante pensar nisto. Muitas vezes queremos acreditar que a realidade é outra e esquecemos de perceber porque é que outras pessoas pensam de forma diferente. Os motivos são diversos e não vou ocupar o seu tempo a dizer aqui quais são. Mas o certo é que os motivos são graves e que temos de tirar a cabeça da areia.

Porque é que noutros países poupam mais para as reformas?

É um facto que os sistemas de reforma foram criados numa altura económica e demográfica muito distinta do que a atual. Vários países e várias pessoas já acordaram para o problema e já começaram a poupar. O extremo são os EUA, onde não há um sistema público de pensões. Na Europa tendemos a olhar mais para os sistemas públicos. Mas e por que não encontrar um meio termo?

No meio está a virtude…

Talvez seja prudente, qualquer que seja a nossa visão sobre o problema, tentar acautelar-nos. Se eu estiver errado, a poupança é sua e poderá usá-la para gastar e para aproveitar a vida na sua reforma. Mas se eu (e muitos outros) estivermos certos, poderá usar o dinheiro que poupou para ter a qualidade de vida que merece, sem ter de apertar o cinto e estar dependente de terceiros. Só temos a ganhar numa postura de poupança.

Porque é que os PPR podem ser a solução?

Os PPR ou Planos Poupança Reforma são produtos financeiros que foram pensados para servir de complemento ao sistema público de reforma. Comparando estes produtos com produtos alternativos, têm uma clara vantagem fiscal, quer no momento da subscrição (com as deduções à coleta, que ainda existem) quer no momento do resgate (com uma taxa de imposto sobre os lucros muito mais baixa). Tudo o resto é equivalente, apesar de ser importante escolher o melhor PPR do mercado (algo que nunca irá conseguir, pois num ano pode ser o melhor mas no ano seguinte pode ser o pior).

Ter um PPR obriga-nos a ter hábitos de poupança. Obriga-nos a criar um “efeito escassez” na medida em que fazemos uma transferência automática para uma conta poupança e com isso reduzimos o nosso rendimento disponível para consumo naquele mês. Na poupança como em tudo na vida os hábitos são meio caminho andado para o sucesso. Sabia que os estudos académicos mais recentes comprovam que quem poupa para a reforma consegue mesmo assim poupar para outros fins mais do que os que não poupam para a reforma? É tudo uma questão de postura perante o incerto e o futuro.