Quem anda minimamente atento percebe que o caminho que estamos a seguir não nos pode levar a um bom porto. Apesar de alguma estabilização, os preços das casas estão em níveis incomportáveis para os orçamentos das famílias portuguesas.

O crédito habitação tem ajudado bastante

Esta situação é maquilhada pelo atual nível das taxas de juro que se traduz, no curto prazo, em prestações baixas nos créditos habitação. Rapidamente deixámos de pensar que uma casa custa 200 mil euros e passámos a pensar que custa €500 por mês num contrato a X anos. Mas se pararmos para pensar, o valor de algumas casas representa o que uma pessoa irá ganhar numa vida inteira… fará sentido trabalhar para pagar uma casa?

Assim, com um mercado de arrendamento decrépito, somos empurrados para a compra de casa, com preços elevados e colocando-nos a jeito para uma subida das taxas de juro. Basta as taxas de juro subirem 1% que teremos de novo um garrote nos orçamentos familiares. E depois temos de apertar o cinto. De novo…

Aumentam os pedidos de reestruturação de crédito

Na Reorganiza temos cada vez mais sido confrontados com pedidos de apoio para a reestruturação de créditos. Os incumprimentos aumentam pois as famílias já esgotaram os períodos de carência dos seus créditos, já correram os créditos de curto prazo e delapidaram as suas poupanças (nunca poupámos tão pouco). Se já acabámos a crise, como é que não conseguimos poupar algum dinheiro?

Se é esta a realidade, também é natural que exista uma maior apetência da banca para renegociar os diversos contratos de crédito de modo a evitar incumprimentos, recordando o atual nível de taxas de juro que dá alguma margem de negociação. Assim, por que não procurar alternativas de transferência de crédito habitação ou negociação com o nosso banco atual para redução do spread? Ou por que não mudar de seguro de vida habitação e poupar com isso 50% do valor? Ou consolidar créditos? Ou negociar outras alternativas para acabar mais rapidamente com estes créditos?

Vença esta prisão dos créditos

Os créditos são uma prisão mas por algum motivo insistimos em prender-nos. O crédito é uma das prisões mais antigas da história. Antes não existiam taxas de juro mas a dada altura começam a ser cobradas… e taxas demasiado penalizadoras…

Para vencer esta prisão, o primeiro passo passa por abrir os olhos. Sim, acordar para a realidade e perceber que vamos bater numa parece. O segundo consiste em vencer a inércia para que consigamos melhorar as nossas vidas. Para que consigamos melhorar as vidas dos nossos filhos. Para termos liberdade. Para cumprir os nossos objetivos. E sim. É possível… temos é de querer!